CRONOLOGIA

Tomaz de Figueiredo

 

1902
Nasce em Braga, a 6 de Julho. Considero-me e quero-me de Arcos de Valdevez, para onde fui de poucos meses, terra minha pela memória e pelo amor.
1908
Inicia os primeiros estudos em casa, sob orientação da sua mãe, concluindo a instrução primária na Escola Pública local. Inicia, igualmente, a aprendizagem de piano.
1912
Frequenta por dois anos o recém-inaugurado Externato de Arcos de Valdevez.
1914
Por influência dos seus tios maternos, destacados padres da Ordem de Jesus, cursa preparatórios nos Colégios Jesuítas de Los Placeres-Marin e de La Guardia, ambos na Galiza.
1917

Em La Guardia revela-se excelente aluno do Padre Torcato Cabral Ribeiro, a Português, com quem aprende um pouco do muito que tentou ensinar-me da arte de escrever... Ele me entreabriu a porta que só podia ser a minha... e eu a descobrir que tudo podem as palavras dizer... Desta época datam as suas primeiras poesias.

1920
Matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Posteriormente afirma: Passeei em Coimbra com o chamado grupo da Presença, do qual em verdade não fiz parte, umas vezes aceitando e outras recusando, outras, até, ensinando e guiando. Colabora, mesmo assim, no nº 4 da revista do grupo com o soneto Athene Parthenon.
1925

A actividade literária iniciei-a num jornalzinho de Arcos de Valdevez, «O Realista», revoltando os senhores de lá com académicos sonetos, em parte audaciosos... O choque com a estreiteza intelectual dos então «preponderantes» no meio cultural dos Arcos é assim referido por Tomaz de Figueiredo. Após cinco anos de Coimbra retoma, em Outubro, o curso de Direito, mas a partir de então na Faculdade de Direito de Lisboa.

1928

Licencia-se em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa.

1930

A 23 de Janeiro casa, em Lisboa, com Maria Antónia Teixeira de Queiroz de Castro Caldas, a noiva que tanto irá exaltar em muitos dos seus romances e poemas. A 15 de Novembro nasce, em Lisboa, o primeiro filho, Tomaz Xavier, a quem irá dedicar o seu primeiro romance, A Toca do Lobo: A meu filho, que também é Tomaz.

1931
Reside em Tarouca, , acompanhado pela esposa e pelo filho. Toma posse, em Novembro, do cargo de notário no Cartório Notarial local.
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1932
Nasce, em Lisboa, a 12 de Novembro, a filha Maria Antónia. Merecer-lhe-á, no romance Uma Noite na Toca do Lobo, a dedicatória seguinte: À minha filha Maria Antónia, que esteve para ter o nome da senhora mais santa e mais senhora que até hoje conheci – a nossa tia D. Catarina de Azevedo -, que do céu a estará abençoando e beijando.
1934

Em Abril, foi no semanário «Fradique», do meu inesquecível amigo Thomaz Ribeiro Colaço, e daí a pouco chamado «o jornal dos dois Tomazes» que efectivamente me anunciei, com novelas e contos que nem todos hoje arredo. A partir de Dezembro, e durante três meses, exerce notariado na vila da Nazaré.

1935

Em Março é empossado notário em Ponte da Barca onde, com esposa e filhos, passa a residir, bem perto da Casa de Casares, em Arcos de Valdevez, onde vivem seus pais. Volvidos dois meses, porém, morre o pai – e a Casa, a Casa de Casares, fecha-se, passando a ser apenas habitada durante os verões. É a sua mãe que, já de certa idade, vai viver com o filho, nora e netos em Ponte da Barca.

1936

Inicia colaboração no semanário «Acção». Começa a escrever o romance Nó Cego.

1937

No mesmo semanário responde a Francisco de Paula com o texto Duas Gerações, no âmbito de uma polémica entre os dois escritores, acerca do conceito de «geração». E, também, no mesmo semanário faz publicar um poema dramático: Poema da Vida Morta. Depois de muito instado pelo Governador Civil de Viana do Castelo aceita, com grande relutância, o cargo de Presidente da Comissão Instaladora da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ponte da Barca. As palavras proferidas no acto de posse ilustram bem o seu sentir: Aqui estou,... lugar que não ambicionei ou desejei e com doloroso, muito doloroso, sacrifício consenti em aceitar... Os capitais de que disponho são rectidão e boa-vontade... Não serão tomadas em consideração petições apresentadas por segundos... significam estas palavras que o caciquismo está de férias.

1940

Inicia, em Junho, o romance Fim, anotando Em boa hora seja. De «motu próprio» consegue ver cessadas as suas funções autárquicas em Ponte da Barca, livrando-se, assim, de actividade que, manifestamente, lhe não interessava – mesmo repelia. Regressa, então, ao Cartório Notarial de Ponte da Barca.

1941

Em Janeiro, interrompe a escrita de Fim, anotando Interrompo hoje este romance, pois preciso de elementos para o continuar que só em Lisboa, para onde parto, posso consultar. O romance em causa gravita em torno da organização de um golpe de Estado, destinado a derrubar o Regime então vigente no país. Daí o interesse do escritor em reunir informações que pensava úteis para melhor tratamento do tema. Inicia, na Primavera, a elaboração da novela Procissão dos Defuntos. Em Maio é requisitado pelo Ministério da Economia para exercer, em Lisboa, as funções de Vice-Presidente da Junta Nacional dos Resinosos. António Dacosta, seu amigo pessoal, retrata-o em pintura a óleo, uma das melhores obras de retrato do pintor. O quadro está hoje integrado no espólio existente na Casa de Casares.

1942

Surge como colaborador regular da revista «Aléo» onde, em Dezembro, publica o artigo Acerca de Fernando Pessoa. No mesmo critica todos os que, embora «escrevendo» sobre o Poeta, demonstram um total desconhecimento efectivo do significado e obra de Pessoa, e da poesia em geral. No mês anterior fizera publicar no semanário «Acção» um trabalho de crítico à Exposição de Pintura Francesa Contemporânea,evidenciando o seu interesse pela crítica de Arte.

1943

No contexto da sua vasta e longa colaboração com o «Diário Popular» publica, em Fevereiro, o artigo O Romance Português. Em Março apresenta, no mesmo diário, sob o título O XVII dos Sonetos de Fernando Pessoa a tradução do inglês de um soneto do Poeta. Em Abril publica na «Aléo» o Comentário a O Príncipe com Orelhas de Burro, apontando ao romance de Régio alguns reparos e considerando-o, mesmo, de penosa leitura.

1944

Ano de intensa colaboração na «Aléo», com artigos de pendor essencialmente de crítica literária. Ainda na mesma revista escreve, sob o pseudónimo M. de Penaguda, pequenos textos de crítica sarcástica, integrados na rubrica «Quinzenário». Em Dezembro, no artigo Um Livro de Vasco Amaral – Cultura, Defesa e Expansão da Língua Portuguesa reafirma a necessidade dos organismos oficiais considerarem a proposta de Vasco B. Amaral – a criação de um Instituto de Língua Portuguesa.

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1945

A 2 de Março nasce a terceira filha, Maria Rosa, que herda o nome de sua trisavó, mulher de grande fortaleza de carácter e que, enquanto viva, foi referência familiar. De Março a Agosto escreve o romance A Toca do Lobo.

1946 Em Outubro publica, na revista «Rumo», o ensaio Três Glosas Sobre o Romance.
1947

A Editorial Ática, então dirigida por Luiz de Montalvor, publica, com o empenhado apoio de José Osório de Oliveira, o romance A Toca do Lobo, calorosamente saudado pela crítica e objecto de numerosas edições, que continuam até ao presente. Em Setembro cessa funções na Junta Nacional dos Resinosos e regressa, desta vez em Estarreja, ao notariado.

1948 Em Janeiro, o seu romance A Toca do Lobo é galardoado com o Prémio Eça de Queiroz. Impossibilitado, por motivos de saúde, de o receber pessoalmente, endereça uma Carta ao Júri do Prémio Eça de Queiroz que é lida na cerimónia.
1950

De Fevereiro a Junho escreve o romance Uma Noite na Toca do Lobo. É publicada, pela Guimarães Editores, a obra Nó Cego.

1952

Em Abril inicia a escrita do romance A Gata Borralheira. É publicada, no seu dizer, a fuga romântica Uma Noite na Toca do Lobo.

1953 O Júri do Prémio Delfim Guimarães, constituído por Vitorino Nemésio, Branquinho da Fonseca, Álvaro Lins e Tomaz de Figueiredo, distingue o original anónimo de Agustina Bessa-Luís, «A Sibila». A opinião de Tomaz de Figueiredo, que lera cuidadosamente todos os originais em presença, impõe-se na discussão havida, revelando-se decisiva na atribuição do Prémio a Agustina, Prémio que, em alguma medida, se converteu em «rampa de lançamento» da escritora, até aí pouco conhecida.
1954 No «Diário Popular» publica o artigo Do Ofício de Escritor, no qual distingue o estilo de Teixeira Gomes. Publica a novela Procissão dos Defuntos.
1956

Na «Colecção Poesia e Verdade», da Editorial Verbo, dá à estampa, em Março, o seu primeiro livro de poesia: Guitarra – treze romances. Entretanto, afirmando os cargos oficiais que desempenhei, tão exteriores a mim, considero-os violência da vida, dedica o máximo do seu tempo e pensamento à sua vocação de escritor. Apenas se desloca ao Cartório quando julga a sua presença essencial. Mas os ajudantes, que supunha igualmente amigos, aproveitam-se da confiança neles depositada e «salgam» em proveito próprio os emolumentos cobrados. Denunciado o caso, tentam envolver Tomaz de Figueiredo que considerava o seu nome, honra e dignidade suficientes para o afastar, liminarmente, de qualquer suspeita. Sujeito a investigação, conduzida de forma dir-se-ia inquisitorial, quebra psicologicamente, entrando em depressão profunda.

1957 Começam dois longos e dolorosos anos em tratamentos, para recuperação psicológica, que viriam a abalar o seu sistema cardiovascular. HOME
1959

Findo o inquérito a que foi sujeito, e totalmente ilibado, regressa a Estarreja, retomando as suas funções notariais. A profunda melancolia que ainda o afecta procura ultrapassá-la embrenhando-se na escrita. Os romances Má Estrela e A Noite das Oliveiras são produto desta época, assim como numerosos sonetos e extensos poemas, onde perpassam o desencanto e a dor que o atormentam. Na revista «Tempo Presente» publica o poema, de dezoito tercetos, O Adeus. Em Outubro, escreve, de um só jacto, a peça teatral Os Lírios Brancos ou a Revolução Universal, fazendo-a publicar nos números 8, 9 e 10 da mesma revista.

1960 Em Junho publica, a pedido dos colegas do curso de Coimbra, um texto, de pendor memorialista, em homenagem ao seu falecido colega e amigo Alexandre de Aragão: Conversa com o Silêncio. Ultima as primeiras duzentas folhas da crónica heróica Dom Tanas de Barbatanas - O Doutor Geral. Alberto de Serpa, com quem Tomaz de Figueiredo mantem assídua correspondência, qualifica a obra como o «primeiro pícaro português». Em Novembro, obtém, a seu pedido, a cessação, por aposentação, dos cargos no Ministério da Justiça, regressando assim a Lisboa, liberto dos constrangimentos burocráticos que duramente lhe empecilharam a vida. João Bigotte Chorão, grande amigo do escritor, e o ensaísta e crítico literário que até hoje mais estudou e compreendeu afectiva e intelectualmente o talento de Tomaz de Figueiredo, afirma: «Com a preparação e publicação dos seus livros e o convívio de amigos de velha e recente data, entre os quais parecia o mais novo, e era, sem dúvida, o mais irreverente, Tomaz de Figueiredo renasce.»
1961 Por ocasião do centenário da morte de D. João de Azevedo, publica, no «Boletim da Academia Portuguesa Ex-Libris» um artigo que intitula D. João de Azevedo, Mestre de Camilo. Publica o romance A Gata Borralheira, a que é atribuído o Prémio "Diário de Notícias".
1962 Publica, pela Editorial Verbo, Dom Tanas de Barbatanas - O Doutor Geral.
1963 Publica, pela mesma editora, o livro de novelas Vida de Cão.
1964 Publica no «Diário de Notícias» o Posfácio à Toca do Lobo. Publica Dom Tanas de Barbatanas - O Magnífico e Sem Par. A edição de luxo deste segundo volume da crónica heróica apresenta um desenho da autoria do seu filho, Tomaz Xavier, propositadamente feito para este fim.
1965 Publica o primeiro volume do ciclo de romances Monólogo em Elsenor, intitulado A Noite das Oliveiras, bem como Teatro I, que reúne as peças A Rapariga de Lorena, O Visitador Extraordinário e A Barba do Menino Jesus.
1966 Publica outro livro de novelas, Tiros de Espingarda, que foi merecedor do Prémio Nacional de Novelística desse mesmo ano, atribuído pelo S.N.I. (Secretariado Nacional de Informação).
1967 Colabora no segundo volume de «As Grandes Polémicas Portuguesas», com o texto José Agostinho de Macedo contra a Besta.
1968 Prefacia o romance de Maria Ondina Braga «A Estátua de Sal», Prémio Revelação S.N.I., de cujo júri tinha feito parte. Publica o longo poema Viagens no meu Reino.
1969 Publica o segundo volume do ciclo de romances Monólogo em Elsenor, A Má Estrela.
1970 Publica o livro de contos A Outra Cidade bem como Dicionário Falado, uma obra de variações linguísticas. A 29 de Abril morre em Lisboa, em sua casa, vítima de ataque cardíaco. Tinha 67 anos. Como era seu desejo, o corpo foi dado à terra em Arcos de Valdevez no Cemitério de São Bento, onde repousa junto dos Seus. Recorda Bigotte Chorão: «... Mal chegou à câmara ardente, o Padre António de Magalhães, SJ, (que parecia trazer no rosto o espanto de algum diálogo sibilino com Pascoais ou com Leonardo) entrou de cantar com uma veemência e uma convicção como só a fé as pode inspirar – a fé que faz violência aos céus para que se abram a quem muito sofreu neste mundo.»
 

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